Qual é a importância dos anéis das árvores? Como são criados os anéis e o que podemos saber com eles?

Sabia que é possível atribuir uma idade aproximada a uma árvore consoante o número de anéis que esta possui?

A grande maioria das árvores das regiões temperadas, como é o caso da nossa, possui apenas um único anel por cada ano que passa. No caso das zonas onde as estações não são tão distintas umas das outras, as marcas nos troncos tornam-se mais irregulares.

Para além de darem a conhecer a idade de uma árvore, os anéis são igualmente importantes no estudo meteorológico, porque as árvores têm capacidade para armazenar nos anéis dos seus troncos, com grande detalhe, as variações do clima. Anéis mais largos correspondem a verões frios e secos, já os mais finos correspondem ao oposto, ou seja, a espessura varia consoante a quantidade de chuva, as temperaturas, as pragas ou os surtos de doenças.

A dendrocronologia, ciência que data acontecimentos a partir dos anéis de formação de um tronco, permite analisar dados recorrendo a estudos climáticos, à arqueologia, à hidrologia, aos fogos florestais e ao património histórico ou artístico.

 

Anéis das arvores - idade da árvore, estações do ano

 

Como acontece a criação de anéis nas árvores?

A madeira é composta por células mortas de xilema (seiva rica em água e sais minerais) que têm como função transportar os nutrientes das raízes ao resto da planta. Assim sendo, este fenómeno ocorre porque no início da época, as células de xilema são dotadas de paredes mais finas, o que faz com criem uma zona mais clara de anéis, denominada por alburno (responsável por enviar a seiva repleta de nutrientes das raízes até aos ramos e folhas).

Já no final da época de crescimento, as paredes das células já estão mais compactas, o que possibilita a formação de faixas mais escuras, a chamada de cerne, ou seja, as células velhas de xilema que estão dentro do alburno deixam de transportar seiva e transformam-se em cerne.

 

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Quais são as dificuldades que os dendrocronologistas encontram?

Os investigadores afirmam que por vezes torna-se difícil determinar a idade de uma árvore porque os falsos anéis e os anéis em falta são habituais. Mas o problema não se fica por aqui, ou seja, a contagem dos anéis individuais só dá a idade da árvore no momento em que esta é cortada ou morre. Isto significa que quando esta situação acontece, as árvores para além de deixarem de cumprir a sua função de transmissora de oxigénio, deixam também de nos dar sombra e frutos, fazendo com que a suas características deixem de exercer uma função fundamental para a vida na Terra, como também para a manutenção do seu equilíbrio.

Assim sendo, os dendrocronologistas, para contornarem esta situação, recorrem muitas das vezes, à datação cruzada, isto é, os investigadores retiram uma amostra transversal da árvore para medirem a largura de cada anel. Posteriormente esse exemplar será alvo de comparação com amostras de árvores mais velhas e da mesma zona geográfica.

Graças a esta técnica é possível estudar as árvores sem as destruir, através da criação de uma cronologia da região, onde constem informações relacionadas com as espessuras dos anéis desde o presente até aos tempos primórdios.